A importância da integração de dados na gestão
01/12/2021

A cada hora, seis pacientes morrem por falhas em hospitais no Brasil

Quatro dessas mortes poderiam ser evitadas. É o que revela o 2° Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar e pelo Instituto de Pesquisa Feluma, da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Entre os principais fatores que provocam as mortes estão infecções, complicações com cateteres e outros dispositivos invasivos, lesões por pressão, erro no uso de medicamentos, hemorragias e laceração em cirurgias. Um dos responsáveis pelo anuário, doutor Renato Couto, aponta que essas falhas tem origem principalmente na estrutura deficiente e subfinanciada, e nos processos defeituosos.

‘Só 5% da rede hospitalar brasileira tem alguma forma de verificação se os processos estão adequados, que são as auditorias externas ISO, Acreditação, e etc. Há uma outra questão: o estudo mostra que há 41% de ociosidade dos leitos brasileiros. Camas abertas e não usadas custam 73% do preço de uma cama que está tratando alguém. Ou seja, esse é um recurso desperdiçado’, diz.

No Brasil, um paciente fica internado em média por cinco dias. Mas por causa das falhas estruturais, humanas e processuais as pessoas ficam hospitalizadas durante aproximadamente 14 dias. Ao longo de 2017, 14 milhões de leitos ficaram ocupados por dia em função de erros. Essas internações custaram R$ 10,6 bilhões à rede privada de hospitais. O anuário não contabiliza os gastos no SUS.

O levantamento mostra que faltam leitos qualificados para atender os pacientes, e sobram camas sem a estrutura necessária. No ano passado foram utilizados 96,6 milhões de leitos, enquanto 70 milhões ficaram parados. E onde estão essas vagas? Em hospitais pequenos. Mais uma vez, a origem do problema é a falta de recursos. Na avaliação de Renato Couto, uma solução seria desativar essas camas ociosas e centralizar os atendimentos em grandes centros.

‘São centenas de profissões necessárias para gerenciar e fazer um hospital moderno funcionar. Em uma cidade pequena você não consegue ter centenas de tipos de profissão. Segundo: se eu tenho um engenheiro no meu hospital – que é para fazer manutenção – e ele custa mil reais, se ele olhar um equipamento só, ele custa mil. Se ele olhou mil equipamentos, ele custou um real. Então, um hospital tem que ter tamanho para diluir o custo fixo’, explica.

A professora do Departamento de medicina preventiva e social da UFMG, Alzira Jorge, doutora em saúde coletiva, faz um contraponto. Na avaliação dela, os leitos de hospitais de pequeno porte não deveriam ser desativados, mas, sim, usados para procedimentos que não necessitam de estruturas caras.

‘Esses pequenos hospitais se transformarem, mudarem o seu papel e a sua missão para outros tipos de unidades de saúde. Por exemplo, um local onde possam ser feitas pequenas cirurgias, numa UPA, ou num hospital que atendesse paciente crônico, porque o paciente crônico não exige muita tecnologia.’

O 2° Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil foi calculado com base em uma amostra de 456 mil pacientes internados em hospitais da rede pública e privada ao longo de 2017. Os dados foram coletados em municípios com mais de 100 mil habitantes e com IDH acima da média brasileira. Por isso, é possível que os números nacionais sejam ainda piores que os apresentados no estudo.

Fonte: http://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/205589/hospitais-do-pais-tiveram-55-mil-mortes-por-falha-.htm
POR LAURA MARQUES